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Autonomia na produção doméstica e industrial de gás e geração de eletricidade é o que propõe o Biotech, um biodigestor desenvolvido por alunos da Firjan SENAI Vicente de Carvalho, que está entre os seis projetos integradores de fim de curso selecionados para participar da Mostra Nacional INOVA 2023, no segundo semestre, em Brasília. Além de baixo custo, inferior a R$ 300 em peças e montagem, o biodigestor ainda gera biofertilizante líquido para uso em hortas ou jardins.

Depois de pesquisar diversas demandas industriais para montar o projeto integrador, o grupo de alunos do curso de Operador de Microcomputador decidiu trabalhar com o reaproveitamento de resíduos orgânicos. “Passamos um ano inteiro testando materiais baratos e de longa durabilidade e desenvolvemos um protótipo com galões de água de PVC. Como depois de um determinado período o material plástico não pode mais armazenar água, buscamos esses galões descartados para serem reaproveitados”, conta Ana Carolina Nogueira, integrante da equipe.

Um dos testes que levou à aprovação do protótipo do Biotech foi sua utilização para gerar gás para o fogão de uma comerciante que distribui refeições no bairro. “Já há restaurantes locais interessados em fazer a experiência com o galão de cinco litros, que deve ficar instalado em área aberta, como botijões de gás. Hoje, uma versão com pintura, válvulas de pressão e o microprocessador Arduíno, que controla a pressão do gás, custa, com a instalação, em torno de R$ 250”, diz Sidnei Santos Dias, instrutor de tecnologia da Firjan SENAI, que orientou o grupo ao longo de 2023.

A produção de gás pelo Biotech se dá através da decomposição anaeróbica (sem oxigênio) de restos de alimentos misturados com água dentro do galão fechado. O material é fermentado, transformando os dejetos em gás metano e enxofre (biofertilizante), que passam por filtragem interna. O resíduo dessa mistura forma um líquido, o biofertilizante, que é retirado com uma canalização própria. O galão plástico é substituído por um recipiente metálico, em caso de uso industrial para alimentação de fornalhas ou como combustível. Quando entrar em fase de produção e comercialização, o projeto prevê a doação de um biodigestor para moradores de comunidades pobres a cada dez unidades vendidas.